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::Especial - Evolução da Cerâmica::

Cuidados na preparação da massa que fazem a diferença


As cerâmicas que querem ter uma excelente qualidade dos seus produtos precisam investir na preparação da argila. Esse processo, que nem sempre é levado em consideração pelos ceramistas, incide diretamente na qualidade do produto final e tem um papel importante que é facilitar o processo de extrusão. Mas este assunto é muito mais complexo do que se pode imaginar. Em uma palestra realizada no 37º Encontro da Associação Nacional da Indústria Cerâmica – Anicer o professor Amando Alves de Oliveira, do Núcleo de Tecnologia Cerâmica do Senai falou que o primeiro processo está na extração dessa argila. “Hoje temos um problema muito sério no Brasil que as empresas não conhecem a argila usada”, declarou. Ele explicou que argila é um material complexo, que tem vários comportamentos e a grande maioria das cerâmicas não faz mapeamento de área. É importante que o ceramista saiba que tipo de problema a argila pode trazer no futuro ou que comportamento essa ma-téria-prima pode ter, já que normalmente muda bastante, podendo ter variações de resíduos de 15 a 58%. O ideal é padronizar a matéria-prima, isso porque os equipamentos não vão adiantar em nada se ela for inconstante. “O homogeneizador sozinho não faz milagre”.

No livro, Qualidade e Tecnologia em Cerâmica Vermelha, Edgard Mas escreve que conhecer uma matéria-prima significa conhecer sua retração de secagem e de queima, sua plasticidade ou magreza, sua granulometria (micrônia, saibrosa ou arenosa) a quantidade de água que requer para a extrusão, a tendência às trincas de secagem, sua resistência após queima.

Conhecer uma matéria-prima significa ensaiar e medir estas características na média geral da jazida e também ma-pear veio a veio, decidir o que deve ser feito com cada um dos veios. “O estudo veio a veio é particularmente quando estão presentes os calcáreos, gesso ou areia graúda de quartzo. Às vezes é preciso decidir o que fazer com a própria jazida”, destacou. Ele também explica que seria um grande erro insistir em utilizar uma jazida errada, uma jazida com montmorrillonita ou halloisita, é uma jazida errada. Também é um erro insistir em usar uma matéria-prima correta, illítica, porém plástica demais, como única matéria-prima. Não é possível ter uma empresa competitiva e ao mesmo tempo trabalhar com as matérias-primas sem controle de qualidade. Aquele que hoje não controla sua matéria-prima tem um custo insignificante comparado ao que custam as perdas. “Não existe “economia” mais absurda do que não controlar as matérias-primas. É uma pena que existam empresas que ainda não fazem”, enfatizou Mas.

Outro ponto bastante importante é o sazonamento. Sobre essa questão Edgar Mas explica que somente após um longo sazonamento é que a argila manifesta toda a sua plasticidade. Se ela for levada de imediato na maromba, molhada fugazmente durante alguns segundos, se comporta com magreza. Uma argila sem sazonar é atropelada pela máquina, já que os torrões até são destorroados, mas os grãos ainda duros formam massa plástica somente por fora e a qualidade dessa massa pode ser considerada péssima.

Conforme o professor Amando Alves de Oliveira o ideal é que o período de sazonamento seja de aproximadamente um ano. No entanto, há técnicos que defendem um período de até cinco anos.

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