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::Artigo::

Reutilização de resíduos industriais

Após a segunda guerra mundial ocorreu considerável aumento do interesse por parte dos empresários pelas sobras que as várias atividades industriais geravam, devido, principalmente, à escassez de recursos naturais e à competitividade entre as organizações. Durante esse período foram criados vários métodos para organização industrial e controle de produção
como pode ser citado nos gráficos de Gantt, onde pode ser visualizado de forma simples uma lista de tarefas, o tempo para realização das mesmas, sequência de produção e uma série de outras informações que eram essenciais nos processos de produção de equipamentos militares. Não existia muita preocupação com os trabalhadores em relação às condições de trabalho, ergonomia, saúde e bem estar e as máquinas eram incompatíveis com o operador.

No Japão nos anos 50 e 60 surgiram vários métodos para melhorar a gestão da qualidade como os círculos de controle
da qualidade. Nos EUA um pouco depois, criava-se o sistema 5s que define a administração moderna. Outros métodos de gestão da qualidade são: TQC (controle de qualidade total), Just in time, DZ (defeito zero) e outros tantos. Até os anos 90 não se falava sobre sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental, falava-se sim, em proteger a fauna e a flora, termo bem menos abrangente. As normas de qualidade engajaram esses termos e impulsionaram mudanças nas organizações, a grande demanda de energia com crescimento da população e demanda por bens de consumo levaram a várias pesquisas em fontes alternativas de energia como energia eólica, solar, nuclear e tantas outras, que aos poucos foram se incorporando ao nosso vocabulário. Os resíduos industriais passaram a ser vistos não mais como rejeito (definição altamente simplificada de rejeito – sujeira, sobra, algo que todos querem se livrar, lixo) mas sim como matériasprimas para fabricação de novos produtosou como fonte de energia para a produção, como é o caso das usinas de alcooleiras, que utilizam o bagaço da cana para gerar sua própria energia, cas-cas de arroz também podem ser queimadas para gerar energia em propriedades rurais, e as cinzas hoje já são utilizadas para fabricar materiais refratários porque são ricas em sílica. Existem projetos para reaproveitamento de resíduos, como, por exemplo, na indústria cerâmica; os cacos de vidro e vidrados podem ser utilizados na fabricação de pavimentos e revestimentos mediante utilização de aditivos orgânicos e altas pressões de compactação, assim como resíduos minerais de vários tipos da indústria de pedras podem ser aproveitados para fabricação de produtos cimentíceos de determinada composição química. A indústria siderúrgica, que é considerada altamente poluidora, pelos seus resíduos como óxidos de cálcio ferro e manganês presentes na escória dos fornos, poderá destinar seu rejeito para a fabricação de materiais vítreos e também para correção de acidez do solo ou como fonte de silício aumentando a produção agrícola. A areia de fundição poderá ser empregada na construção civil adicionando em um determinado percentual, cerca de 5 a 20%, na argamassa poderá melhorar suas propriedades e reduzir custos.

O alumínio, vidro e papel podem ser refundidos sem perda de propriedades, assim como plásticos da família dos termoplásticos
os quais são totalmente recicláveis. A reutilização de bem como a reciclagem de materiais pode trazer várias vantagens do ponto de vista social e econômico como, diminuição da poluição ambiental, redução dos custos de coleta, redução nos problemas de saúde pública e aquecimento da economia.

Fato importante também nesses últimos anos, foi a mudança da utilização de materiais clássicos como madeira, concreto e aço, para utilização de novos materiais com propriedades melhores, mais leves e resistentes como compósitos reforçados com fibras como fibra, semicondutores de germânio e silício, materiais inteligentes como ligas com efeito de memória de forma que podem se deformar e “lembrar” de sua forma original recuperando suas características iniciais, além de biomateriais utilizados em próteses para o corpo humano. Os programas de computador contribuíram diretamente com essa transformação e agora vivemos a era da nanotecnologia, isso é, controlar as propriedades dos materiais em uma escala nano (10 elevado a -9 metros) alguns movimentos já se mostram contrários à nanotecnologia, nessa questão, quero tomar as palavras do Prof. Nivaldo Cabral Kuhnem, que ministrando uma palestra na UNESC, respondeu quanto questionado quanto aos perigos da nanotecnologia: “Quando um homem pré-histórico estava em uma caverna escura,
apareceu um outro homem portando uma tocha acessa, o homem da caverna pontuou: - Olha não brinque com isso hein!... Isso é perigoso!”

Mesma situação ocorreu nos anos 50 quando foi inventado o laser, as pessoas achavam que seria empregado para fins bélicos. Vivemos em uma civilização meio hipocondríaca, hoje sabemos que existem várias aplicações industriais e também médicas para os lasers. Com a nanotecnologia não ocorrerá de modo diferente, no futuro poderá ser empregada para salvar vidas, (nano-medicina) para curar câncer, mediante emprego de minúsculos dispositivos com câmeras que poderão ser inseridos no corpo humano e liberar drogas diretamente no tumor, na produção de novos materiais biocompatíveis, na informática e robótica.

Wiliam Jeremias dos Santos
Engenheiro de Materiais
Eng MAT 48-84386171
Wiliamjjj@ibest.com.br


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